Lisboa vai acabar com calçadas de pedra portuguesa em várias áreas da cidade

Por Giuliana Miranda

Os tradicionais mosaicos de pedras pretas e brancas, típicos de muitas calçadas de Portugal, estão com os dias contados em várias áreas de Lisboa.

A Câmara Municipal da capital portuguesa —o equivalente da prefeitura por aqui— decidiu substituir as pedrinhas por um calçamento branco e liso feito de mistura de cimento e pedra lioz. O objetivo é facilitar a circulação dos pedestres e melhorar a conservação dos espaços públicos.

Entre as justificativas das autoridades lisboetas para substituição das calçadas de pedras estão os buracos e as quedas que eles provocam, além da dificuldade de locomoção para idosos e deficientes físicos.

As mudanças, porém, não devem afetar as áreas históricas da cidade. Em entrevista ao jornal “Público”, o presidente da Câmara Municipal, Fernando Medina, afirmou que a substituição não afetará as calçadas com desenhos artísticos e valor histórico.

A primeira alteração foi entregue recentemente na Rua de Alcântara, que tinha a calçada anterior bastante degradada. Além de substituir as pedras pelo chão liso de cimento, o espaço para pedestres foi ampliado e o pavimento ganhou um relevo sinalizado para deficientes visuais, além de áreas rebaixadas que facilitam o deslocamento de pessoas com mobilidade reduzida.

As velhas pedras persistem apenas em uma estreita faixa junto aos prédios.

A recém-inaugurada calçada de cimento da Rua de Alcântara | Crédito: Reprodução
A recém-inaugurada calçada de cimento da Rua de Alcântara | Crédito: Reprodução

Várias autoridades se manifestaram publicamente favoráveis à mudança, mas a questão não é unanimidade entre os lisboetas.

Muitos usaram as redes sociais para protestar contra a possível perda de identidade histórica da cidade provocada pelas mudanças no pavimento, e existe até um abaixo-assinado online pedindo a proteção das pedras portuguesas.

Mesmo assim, o projeto “Pavimentar Lisboa” segue com obras a todo vapor e já são visíveis mudanças também em outro ponto da cidade: o Arco do Cego.

CALÇADAS UNEM PORTUGAL E BRASIL
Embora haja registros anteriores, o calçamento feito com pedaços irregulares de calcário e basalto se popularizou em Portugal no século 19.

O uso começou a se intensificar na reconstrução de Lisboa após o grande terremoto de 1755. Não demorou muito para que a “moda” se espalhasse para o resto do país e também para as colônias, incluindo o Brasil.

O famoso calçadão do Copacabana, inaugurado em 1906 e reformado na década de 1970— segue o mesmo padrão de um dos mais emblemáticos de Lisboa, o do largo do Rossio, na baixa da cidade. Tanto as pedras usadas como os profissionais que as instalaram na orla carioca também foram importados da antiga metrópole.

Calçada da praça do Rossio, em Lisboa, inspirou a de Copacabana, no Rio | Crédito: Giuliana Miranda
Calçada da praça do Rossio, em Lisboa, inspirou a de Copacabana, no Rio | Crédito: Giuliana Miranda

Apesar de mais conhecida, a pavimentação da orla de Copacabana não foi a primeira no Brasil a homenagear e seguir aos traços ondulados portugueses. Construído em 1900 e 1901, o largo de São Sebastião, em Manaus, veio primeiro.

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