Governo de esquerda completa 6 meses com força política em Portugal

Por Giuliana Miranda

Quando os partidos de esquerda —que têm um longo histórico de divergências e desavenças— anunciaram uma coalizão para governar Portugal, o acordo foi recebido com ceticismo e parecia condenado a ter vida curta. Contrariando essas previsões, o grupo, que ganhou dos opositores o nada carinhoso apelido de “geringonça”, acaba de completar seis meses no poder sem dar sinais de fraqueza.

Vale lembrar: o Partido Socialista do primeiro-ministro António Costa não venceu as últimas eleições. A coligação de centro-direita que governou Portugal de 2011 a 2015 teve mais votos, mas sem obter maioria absoluta. Em uma aliança pós-eleitoral (manobra comum e permitida nos regimes parlamentaristas, embora inédita até então em Portugal), os partidos de esquerda —que somados são maioria no Parlamento— derrubaram o governo de direita e indicaram o chefe de governo.

Após meio ano no poder, a aliança formada por socialistas, Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português tem dado sinais de força na esfera política, avançando com uma agenda de reformas e ampliação de direitos civis.

Nos últimos seis meses, a bancada de maioria de esquerda aprovou a adoção de crianças por casais homossexuais, ampliou o acesso da fertilização in vitro para todas as mulheres (antes, somente aquelas casadas ou em união estável com um homem podiam fazer o procedimento) e regulamentou a chamada barriga de aluguel, entre outros temas.

Mas, se na esfera política as coisas estão sólidas, as medidas econômicas do governo têm causado apreensão entre os organismos da União Europeia, que encaram com pessimismo as medidas econômicas e o orçamento de Estado apresentado por Portugal.

O atual governo também reverteu algumas das medidas de austeridade da administração anterior. Entre elas, há um polêmico retorno à jornada de 35 horas na função pública.

Depois de declarações negativas de algumas agências de risco, foi a vez da Comissão Europeia se pronunciar, afirmando que analisa aplicar sanções a Portugal e Espanha devido ao deficit excessivo.

Em um balanço de seus seis meses no cargo, António Costa ressaltou a “estabilidade” do governo e disse considerar “injusta” a possibilidade de sanções a Portugal neste momento, uma vez que as contas analisadas por Bruxelas são da administração anterior.

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