Após 200 anos ‘em construção’, palácio de Portugal vai finalmente ser terminado

Por Giuliana Miranda

O palácio nacional da Ajuda, em Lisboa, tem uma longa importância histórica, foi residência da família real e hoje abriga um museu e o ministério da Cultura. Apesar da trajetória invejável, o prédio é conhecido mesmo por uma outra razão: mais de 200 anos após o início de sua construção, a obra ainda não acabou.

A fachada parcialmente inacabada e o fato de ter sido inicialmente construído em madeira —o rei estava traumatizado com as mortes causadas por desabamentos no terremoto que devastou Lisboa em de 1755 — renderam ao prédio o nada simpático apelido de “real barraca”.

Fachada inacabada do palácio da Ajuda, em Lisboa | Crédito: CM Lisboa
Fachada inacabada do palácio da Ajuda, em Lisboa | Crédito: CM Lisboa

Agora, a Câmara de Lisboa (equivalente à prefeitura) e o governo de Portugal garantiram que a obra já tem data para acabar: 2018.

A maior parte do dinheiro do projeto, orçado em € 15 milhões (cerca de R$ 54 milhões), virá da polêmica taxa de turismo municipal, em vigor na capital portuguesa desde janeiro. Os € 4 milhões restantes são do Ministério da Cultura.

 

OURO DO BRASIL

Mais do que terminar a obra do palácio, a iniciativa vai convertê-lo em um supermuseu, que terá como principal destaque a exposição das joias da coroa portuguesa, atualmente não disponíveis ao público.

Uma boa parte das 6.340 peças, incluindo 900 exemplares de ouriversaria, foi feita com ouro retirado do Brasil.

Alfinete de esmeraldas é uma das peças do acervo | Crédito: Reprodução
Alfinete de esmeraldas é uma das peças do acervo | Crédito: Reprodução

SUCESSÃO DE ATRASOS

No lançamento do projeto, o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, afirmou que não é possível arranjar uma boa justificativa para o atraso centenário, mas disse que a reconstrução financiada pela taxa turística — é o primeiro investimento feito com a arrecadação do novo imposto — é “simbólica” para a cidade.

A construção do prédio começou no século 17, e ainda inacabado em 1755, tornou-se o principal refúgio da família real após o terremoto. Em 1794, o palácio foi destruído por um incêndio. Um ano depois, ele começou a ser recuperado, desta vez em estilo barroco e, pouco tempo depois, neoclássico.

Em 1808, com a fuga da família real para o Brasil e a invasão francesa a Portugal, as obras pararam. Só em 1826, o palácio voltou a receber membros da realeza. Com a república, ele acabou não finalizado.

Nos últimos 50 anos, vários projetos para terminar a construção foram feitos, mas nenhum conseguiu sair do papel. A maioria esbarrou na falta de dinheiro. Agora, parece que o crescimento frenético do turismo em terras lusitanas vai finalmente permitir a conclusão do espaço.

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