Lenda de Pedro e Inês é o ‘Romeu e Julieta’ lusitano

Por Giuliana Miranda

A história de amor proibido de Pedro e Inês é conhecida como uma espécie de Romeu e Julieta lusitano. Com a diferença de que, ao contrário dos personagens de William Shakespeare, os amantes portugueses existiram realmente e os desdobramentos desse romance afetaram o destino de Portugal.

Os protagonistas da história são d. Pedro 1º (o de Portugal, não o que foi para o Brasil!) e Inês de Castro, dama de companhia de sua mulher, a rainha d. Constança Manuel. No século 14, o então herdeiro do trono de Portugal se apaixonou por Inês e eles viraram amantes.

Com a morte da rainha, em 1345, Pedro e Inês passaram a morar juntos e tiveram filhos. Eles viviam felizes em Coimbra por dez anos, nos Paços de Santa Clara, mas a situação nunca foi bem aceita pela corte e nem pela família real, gerando uma grande instabilidade para a coroa.

Para acabar com a situação, em janeiro de 1355, o rei d. Afonso IV mandou assassinar Inês de Castro. O crime teria acontecido junto à fonte das lágrimas, que fica no jardim da propriedade Quinta das Lágrimas, onde hoje há um hotel.

Pedro liderou uma revolta contra o rei e nunca perdoou o próprio pai pela morte da amada. Quando assumiu a coroa, em 1357, d. Pedro afirmou que havia se casado secretamente com Inês, reconhecendo-na postumamente como rainha de Portugal. O episódio, é claro, rendeu a ela o apelido de “rainha morta”

Uma outra expressão bem conhecida, aliás, deriva daí: “agora Inês é morta”, muito usada como sentido de que é tarde de mais para fazer alguma coisa.

A lenda

O período depois da proclamação póstuma de Inês de Castro como rainha de Portugal é sobre o que há mais controvérsia e relatos fantasiosos. Alguns relatos chegam a dizer que o rei mandou exumar o corpo e promover uma cerimônia de “beija mão” da rainha, com o cadáver já em avançada decomposição.

A suposta cerimônia de coroação póstuma caiu no imaginário popular e está presente em várias obras, como nesta tela de Pierre-Charles Comte, de 1849
A suposta cerimônia de coroação póstuma caiu no imaginário popular e está presente em várias obras, como nesta tela de Pierre-Charles Comte, de 1849

Apaixonado, Pedro mandou também construir dois enormes túmulos em pedra branca, esculpidos em detalhes. Os corpos dos dois amantes hoje jazem um em frente ao outro no mosteiro de Alcobaça.

Túmulo de d.Pedro no mosteiro de Alcobaça
Túmulo de d.Pedro no mosteiro de Alcobaça | Foto: WikiCommons

A história de amor proibido deu  de livros, pinturas, poemas e uma enorme variedade de produtos, como uma marca de vinhos e uma ponte na cidade de Coimbra.

Muitos dos lugares da lenda podem ser visitados no centro de Portugal, como a Quinta das Lágrimas e o mosteiro de Alcobaça, e são uma ótima opção de passeio para quem gosta de história (e romance).

Fachada do mosteiro de Alcobaça, onde estão os túmulos de Pedro e Inês | Foto: Giuliana Miranda
Fachada do mosteiro de Alcobaça, onde estão os túmulos de Pedro e Inês | Foto: Giuliana Miranda

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