Uma semana depois, Portugal finalmente declara extinto incêndio que matou 64

Por Giuliana Miranda

Sete dias, 64 mortos, 254 feridos e 53 mil hectares de terra arrasada depois, Portugal finalmente declarou extinto o incêndio na região de Pédrógão Grande, no centro do país.

A informação, divulgada por volta das 23h de sábado (24), marca o início de uma nova etapa: a de busca por respostas —e pela identificação de responsabilidades— na tragédia.

Embora o primeiro-ministro, António Costa, e o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, tenham ido a público logo depois do início do incêndio para reafirmar que tratava-se de uma fatalidade causada por causas ambientais, não demorou muito para surgirem as primeiras críticas ao ordenamento do solo, à resposta das unidades de resgate e ao sistema de alerta florestal.

Vestígios do incêndio florestal na estrada nacional 236, em Portugal, que ficou conhecida como a estrada da morte, por concentrar 47 dos mais de 60 mortos na tragédia | Foto: Giuliana Miranda/Folhapress
Vestígios do incêndio florestal na estrada nacional 236, em Portugal, que ficou conhecida como a estrada da morte, por concentrar 47 dos mais de 60 mortos na tragédia | Foto: Giuliana Miranda/Folhapress

A Proteção Civil de Portugal admitiu que o sistema de comunicação compartilhado entre as entidades de socorro e segurança, o SIRESP, apresentou falhas.

Já o chefe da Liga de Bombeiros Portugueses, Jaime Marta Soares, contestou publicamente a informação oficial do governo de que o fogo teve início por causa de uma trovoada seca –fenômeno atmosférico que ocorre em caso de altas temperaturas e baixa umidade–, quando um raio teria atingido uma árvore.

Soares disse ter visto uma “mão criminosa” como causa do incêndio florestal, que começou na tarde do dia 17 no concelho de Pédrógão Grande e rapidamente se espalhou para os vizinhos Figueró dos Vinhos e Castanheira de Pera.

A Polícia Judiciária disse que vai convocar o líder dos bombeiros para apresentar sua versão.

Enquanto isso, a população e a imprensa seguem pressionando por respostas.

Veículo destruído por incêndio na estrada nacional 236, que ficou conhecida como "estrada da morte" | Foto: Giuliana Miranda/Folhapress
Veículo destruído por incêndio na estrada nacional 236, que ficou conhecida como “estrada da morte” | Foto: Giuliana Miranda/Folhapress

Muito por conta da pressão popular, os deputados portugueses resolveram em pouco mais de uma hora um impasse que vinha se arrastando havia dois meses na Assembleia: os debate sobre a reforma florestal no país. Aparentemente, nenhum parlamentar ou partido político quis arcar com o peso político de travar o tema, apesar de ainda haver muita controvérsia sobre o assunto.

Segundo a Assembleia da República, a questão será aprovada até 19 de julho.

No centro da polêmica está a questão da plantação de eucalipto. A enorme quantidade desta árvore e de pinheiros, que queimam com facilidade, foi apontada como uma das razões para a propagação do fogo com rapidez.

Solidariedade

Apesar da tragédia, o incêndio de Pedrógão Grande foi marcado por uma enorme onda de solidariedade.

Voluntários trabalho em centro de abastecimento na região do incêndio | Foto: Giuliana Miranda/Folhapress

A população arrecadou tantos donativos que as autoridades tiveram de pedir publicamente que eles interrompessem o fluxo de ajuda, que já era mais do que suficiente.

Muitos dos quase 3 mi bombeiros que trabalharam no combate às chamas eram voluntários.

Bombeiro-voluntário Pedro Passos passou dias e noites no combate ao incêndio no centro de Portugal | Foto: Giuliana Miranda/Folhapress
Bombeiro-voluntário Pedro Passos passou dias e noites no combate ao incêndio no centro de Portugal | Foto: Giuliana Miranda/Folhapress

Caso de Pedro Passos, um dos responsáveis pela equipe da região do concelho de Ansião, também atingido pelas chamas.

“Fazemos isso porque queremos ajudar. Não dá para ficar em casa diante dessa situação”, explica.

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